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Show para Canhoto
reuniu a nada dos chorões
brasileiros em Olinda
Por José Teles - Jornal
do Commercio ,
28 de maio de 1998
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Só faltou a presença do homenageado para o show Sorrindo
para Canhoto ser o melhor
espetáculo musical visto até agora este ano
em Pernambuco. Durante duas horas, 13
atrações, num verdadeiro sarau de chorinho e samba dos bons, encantaram
o público, que
lotou o Teatro Guararapes. Foram 1.812 pagantes, com uma renda de R$ 27.180,00, que será
depositada hoje na conta de Canhoto da Paraíba. Ivan Viana, da Raio
Lazer, responsável pela
produção, ressaltava que se conseguiu zerar todos os custos. Pela
primeira vez, num
evento
beneficente realizado no estado, até mesmo os impostos municipais foram dispensados.
O show, aberto por Egildo Vieira e o grupo Pingo
de Ouro, com Bem Brasil, de
Altamiro
Carrilho, foi dividido em três blocos; os dois primeiros com artistas
locais, e o derradeiro com
o grupo Época de Ouro (que acompanhava Jacob do Bandolim)
e Paulinho da Viola, que
mostrou sucessos antigos e algumas músicas de Bêbadosamba, seu elogiado último disco de
estúdio.
Já se disse que depois do Rio é no Recife que existe a melhor tradição
de
chorões no país.
Quarta-feira isso ficou comprovado, com o Pingo de Ouro, Conjunto Pernambucano de Choro,
Dalva Torres e os 4 Boêmios, Cláudio Almeida, Henrique Annes, Jehovah
da Gaita (que não
tocou choro, mas uma pungente interpretação de Mulher Rendeira), NenéoLiberalquino, Nuca
e Bozó, Fernando Azevedo, Fátima Soares (filha de Canhoto), Racine
e Lalão (Racine mostrou
uma surpreendente e inovadora transposição para violão de
Brasileirinho, de Waldir Azevedo).
Sem estrelismos, nem estourar o tempo reservado para cada um, o show
manteve-se num
clima de alto astral, sem pieguices, nem discursos desnecessários. Enxuto como a música de
Canhoto da Paraíba, cuja arte Paulinho da Viola
tentava explicar, enquanto afinava seu
cavaquinho, no camarim, minutos antes de iniciar sua apresentação:
"Ele é grande por duas
coisas. A primeira é em função da
criatividade com que desenvolveu sua técnica. Já existiram
outros violonistas canhotos, que tocavam sem inverter as cordas, mas nenhum com a genialida
de de Chico. A segunda é o nível da obra. Não existe na
literatura do violão brasileiro, um
violonista com tantas composições para o instrumento feito
Canhoto. Uns 20 anos atrás, a
gente sentou e contou 70 peças dele para o violão, hoje devem ser mais
de cem. Como
violonista, Canhoto está a altura dos grande nomes, feito Garoto e outros mais". Paulinho
entraria logo em seguida ao Época de Ouro, que apresentou um
repertório basicamente
composto por choros de Jacob do Bandolim, com o público tendo o
raro privilégio de assistir à
maestria de uma lenda do violão no Brasil: Dino Sete Cordas. Do
alto dos seus 80
anos, ele
ratificou que continua imbatível no instrumento de que veio seu
apelido. Acompanhado pelo seu
grupo, de que faz parte outra lenda do violão, seu pai César Faria, ou sozinho, Paulinho da Viola
desfilou seus clássicos, uma nova
versão para Nervos de Aço, com andamento diferente do que
ele costumava cantar (segundo a
concepção original do autor Lupicíno Rodrigues, descoberta
por ele agora em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, terra do compositor) e terminou no
sambão partido alto, com a
distinta platéia sem querer arredar pé do Guararapes. Foi enfim
um espetáculo à altura do impagável sorriso de Canhoto da Paraíba.
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