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Sarau Anos 90
Por Fernando D'Oliveira
- Diário de Pernambuco , 15 de abril de 1996
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Saraus do início do
século se transportam para o Museu Regional de
Olinda.
Não no estilo e
vestimentas, mas como o momento
poético-musical de uma
época. Sexta-feira à
noite, a instituição abriu as portas para mais uma Serenata
de Olinda, promovida pela
Associação dos Amigos do Museu Regional de Olinda.
"Cada evento,
garante pelo menos três meses de
sobrevivência da casa,
permitindo que o dinheiro
oficial que o museu recebe esteja
voltado para os
trabalhos de História e
Arte e Arte-Educação", diz a diretora
Laura Buarque.
Mais que um suporte financeiro, as serenatas - a última foi realizada
há três
meses - mostram que os
museus podem ir além de um depositário da História e
de espaço para estudos
e pesquisas: divulgando a história atual,
através da
música e da poesia. O
Regional de Olinda é mais um exemplo de museu vivo. E o
encontro de sexta teve um
gosto especial de homenagem, reverenciando Laura
Nigro, viúva do
compositor Clídio Nigro, e estimuladora do Grupo Luar de
Olinda.
Enquanto o grupo não partia da Igreja de São Pedro, às 22h30, o museu,
com
suas salas e jardins
lotados - a chuva só castigou no início da noite - apresentava
momentos musicais com
Racine, Ravel, Cláudio Almeida, Marcílio
Lisboa, Yara
Ladeira e Léa Correia.
Com esta, o primeiro momento autêntico de uma seresta.
Enriquecida
pelo acompanhamento de Jeová da Gaita
- que fez solos
fabulosos a
noite inteira (haja fôlego!) - Léa Correia não é só uma
cantora. É
intérprete. Passeia pela MPB do
seu jeito. Com uma leitura toda sua.
O
recital de poesia, com apresentação
performática de Adriano Cabral e
declamação de Margot
Dourado, mostrou poemas de Manoel Bandeira, Ascenso
Ferreira e de poetas da
nova geração, como Orismar Rodrigues e
Marco Polo.
Logo após o
encerramento, o grupo Luar de Olinda
subiu a rua do Amparo,
chegando ao museu para a
homenagem. Na frente, de vermelho, Laura
Nigro,
86 anos. Na mão, um
leque, peça essencial nos saraus de antigamente.
Dentro do museu, violinos e vozes para Ave Maria no Morro.
Jeová não
perdeu a
oportunidade e acompanhou com sua gaita. A
homenagem veio
acompanhada de
Fascinação. Laura Nigro era só emoção. Ainda bem que
Olinda
- como o próprio Nordeste
- não crescera tanto e o progresso ainda dá
tempo
para que se homenageie os
grandes nomes. Patrocinado pela Fundação Roberto
Marinho e
Ministério da Cultura, o grupo Luar de
Prata tem convênio para
sustentar, por
um ano, o pagamento de seus músicos.
Mais 12 meses de
garantia de boa música
pelas ladeiras de Olinda.
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