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Canhoto: o lado certo
do violão
Por Silvia Valadares - Jornal do Commercio ,
31 de agosto de 1993
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Ele é canhoto, é da Paraíba e ficou famoso
pelas proezas que consegue fazer.
Uma delas é tocar o violão sem inverter as cordas. Outra, estar em plena forma
aos 64 anos. Além de apresentar-se no Projeto Seis e Meia, nos dias 1, 2 e 3
de setembro, ao lado de Rafael Rabello, Canhoto da Paraíba entrou
"solando" no
mercado fonográfico. O seu CD Canhoto da Paraíba - Pisando em Brasa, também
disponível em vinil e fita cassete, já está esgotado na maioria das lojas
especializadas. O violonista, que lançou apenas quatro discos em quase 50 anos
de carreira,
foi descoberto pela Caju Music, uma pequena gravadora que está
investindo no esquecido trabalho dos músicos instrumentais brasileiros. Mais do
que
isto, está vendendo os discos destes músicos em mercados como o da
Europa e
Estados Unidos. "Eu assinei o novo contrato semana passada. Eles me
disseram que o disco é internacional", explicou. Sobre a expectativa de ganhar
mais dinheiro do que conseguiu em todos seus anos de trabalho, Canhoto
limita-se a dar boas risadas e sonhar: "Gostaria de dar um pouco mais de
conforto a minha família, morar em um lugar mais próximo e ajudar meus irmãos.
Minha família lá em Princesa Isabel é muito pobre", disse Canhoto, referindo-se a
sua terra natal, que fica a quase
400 quilômetros de João Pessoa.
Canhoto mora há cinco anos em Maranguape 1, Paulista, com a espose e duas
filhas solteiras. Foi lá que, de chinela havaiana e com extrema simplicidade,
atendeu à equipe do Caderno C para falar sobre o novo disco. Com a alegria
habitual e dado a uma boa prosa, Canhoto largou o almoço e, com humildade,
discorreu sobre o seu virtuoso talento. Ele tem mais de 100 composições e é
admirado por músicos como Toquinho, Paulinho da Viola e Rafael Rabelo, com
quem vai dividir o palco do Teatro do Parque, a partir de amanhã. "Foi uma
maravilha gravar este CD", confessou. Melhor do que isso só
mesmo
as parcerias
que ele fez com Paulinho da Viola, Jehovah da Gaita e
Rafael Rabelo em quatro
das 12 faixas de Pisando na Brasa. "Gostei especialmente de fazer Mulher
Rendeira, com Jehovah da Gaita. Ficou com uma
sonoridade muito bonita",
disse. "Em parceria com Paulinho da Viola,
gravei Reencontro com Paulinho. Já
com Rafael foram duas gravações.
Pisando na
Brasa, que traz temas incidentais,
como Asa Branca e
Vassourinhas, e Memórias de Sebastião Malta", completou
Canhoto. Para quem gosta de
violão,
Canhoto e Rafael juntos são inesquecíveis.
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